Mensagens

A propósito da Páscoa

Gosto do Natal, mas para mim a Páscoa é a essência do cristão. Mais do que o seu nascimento, Jesus destacou-se pela mensagem que transmitiu e que o levou à morte mas também à ressurreição. E aqui começam as contradições: amanhã ouviremos sinos e a mensagem "ressuscitou, aleluia!", ao mesmo tempo que nos dão a beijar uma cruz com Jesus na sua versão humana de mortal. Se calhar é para pensarmos naqueles de quem nos despedimos assim mas relativamente aos quais esperamos a vida eterna. Seja. Preferia uma cruz simples. Adiante. Por cá ainda há a tradição do compasso. Por causa disso a Páscoa há-de cheirar-me sempre à baunilha das amêndoas (que dantes o chocolate era só nos ovos), ao papel tostado do pão de ló e ao feno que à porta dava sinal de querer receber o compasso. No final do dia era esse o cheiro das ruas. Agora, em vez de feno há umas pétalas de rosa, quando as há. E os aromas são outros. Que fique sobretudo aquilo que a Páscoa deve ser: uma hipótese de renascer, de reno...

@Trás-os-Montes

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  Ontem, depois das obrigações aquisitivas dos apêndices oculares filiais foi dia de mais uma incursão gastronómico-afetiva ao interior.  Começamos por Vila Real, para as miúdas verem os locais onde o pai cresceu e brincou até aos sete anos. D a casa resta o sítio pois houve um incêndio que comeu as paredes da dita. O jardim onde brincava é agora um parque infantil e um campo de jogos. A escola tornou-se num colégio. Mas a vista da Meia Laranja ainda é a mesma, se ignorarmos os prédios... E que vista!    Depois fomos para a Quinta da Petisqueira. Espaço acolhedor, equilibrado, cheio de relíquias, e naturalmente a boa mesa típica dos transmontanos. Mais um golpe na dieta... Mas daqueles que valem a pena. Não ficamos aqui, havia que fazer uma surpresa à avó. Estavam 27 graus em Água Revés. Encontramo-la sentada no pelourinho, a fazer o seu "tratamento de beleza", ou seja a apanhar um solzinho. A aldeia estava calma, devia andar tudo por casa...

Miopia e astigmatismo

Hoje é dia de comprar óculos! Consulta de rotina no oftalmologista trouxe a sentença. Astigmatismo na Bia, miopia e estigmatismo na Su. A genética é tramada, não há nada a fazer. Das muitas coisas que gostava de transmitir-lhes não constava a visão distorcida do mundo. No sentido literal, pelo menos.
Estava aqui a saborear umas tangerinas e pensei: apesar de não serem propriamente doces, sabem bem porque sabem ao antigamente. Ora aqui está um antigamente que de facto era melhor do que o atual. O sabor das coisas. Do pão cozido no forno a lenha, da carne que não mingava à velocidade da luz na frigideira, das batatas fritas amarelinhas, da fruta que sabia a fruta mesmo que por vezes trouxesse hospedeiro desalojado a contragosto. Dizem que as coisas dantes sabiam melhor porque havia menos. Será. Mas que os sabores se perderam, se plastificaram com tanta massificação é uma realidade. E contudo, por outro lado, sou incapaz de comer galinha caseira. Mas isso é por outras razões.

@ Braga

Agora que as aulas/reuniões/ relatórios e afins pararam vou poder descansar e fazer uma dieta(zinha) que aqui o michelin anda a insuflar a olhos vistos, pensei. Certo? Não, errado! Ontem fomos passear para Braga. Queria mostrar a Sé às miúdas, e aproveitar para ver a cidade nesta semana santa. Senti-me quase estrangeira, dada a diversidade de línguas que se ouviam nas ruas. Na universidade estava uma exposição interessante sobre os 40 anos de Abril, com capas de jornais da época, e os cartazes comemorativos. Ficou-me uma frase julgo que de Carmona afirmando que a ideia de que a sociedade portuguesa não estava preparada para viver a democracia era um mito. Quarenta anos depois o comentário a esta frase dava uma boa pergunta num teste. Adiante. Ah, o Michelin. Pois almoçamos no Silvas. O sítio em si não tem nada de especial ou típico. Num centro comercial, balcão corrido, em U, no centro o Sr. Silva e funcionários. E aqui começa a desgraça. Ainda estava a sentar-me e já l...

Noé para ver

Lá fomos ver o Noé. E não me parece que volte a ver o filme. História que pouco tem a ver com a Bíblia, roupa do século XX, mas em versão alinhavada ou então gasta, unhas sujas (pormenor de época), dentes como pérolas reluzentes, cabelo da Hermione com umas riças, já o da matriarca sempre impecável (aliás o Noe envelhece, a esposa não), calhaus tipo Transformers a protegerem a arca (gostei destes, é verdade, uns fofos), e nos finalmentes, depois de salvar apenas a sua família Noé termina dizendo às netas gémeas: crescei e multiplicai-vos! Era para rir? Ou bem que faziam um filme todo a dar para a metáfora ( e não citavam a Bíblia e falavam de Deus a cada cinco minutos), ou então seguiam a Bíblia. Assim nem é carne nem peixe, desenganem-se. E eu que até gosto do Russel Crowe. ( e o avô Matusalém Hopkins com desejos de bagas? Enfim...)

Dúvidas

As coisas que se dão a conhecer, seja num post de uma rede social, seja numa parede, num jornal ou numa lápide funerária, deixam de ser íntimas para serem públicas, porque do domínio público, ou compete a quem lê separar as águas e perceber o que é de um domínio e o que é do outro?