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I wish

Gostava muito de ter um ministro da educação que ouvisse os professores antes de tomar medidas. Gostava que os alunos percebessem que a aprendizagem exige esforço e tempo. Gostava de ver um Portugal que motivasse os alunos a estudarem para adquirem competências que lhes permitissem ter um emprego que lhes desse independência económica. Gostava de pais que percebessem que não são melhores pais por terem filhos que são bons alunos (nem ter boas notas significa ser mais intelige nte, embora seja um sossego para pais- filhos e professores), mas sim se tiverem filhos que são melhores pessoas- honestas, solidárias, com valores. Gostava que todos os professores gostassem daquilo que fazem (e sobretudo que gostassem e se preocupassem com aqueles com quem e para quem trabalham) que percebessem que não estão na sala para cumprir programas mas para ensinar os alunos e que não precisam de exames para validar o que fazem ou para mostrar aos seus alunos o grau da sua ignorância... Nun...
Infantários e lares acusam-me um aperto no estômago. Podem estar limpos, bem decorados, mas há aquele momento de náusea em que volto a ter 5 anos, olho para o prato e começo a chorar. Uma menina das mais velhas, que olhavam pelos mais novos durante as refeições diz-me que coma antes que fique de castigo. Contrario a vontade. Volta o cheiro, quase 3 décadas depois. Lágrimas, abraços apertados (só mais um, e outro, e outro) à porta do infantário. Até que é mesmo o último. Acabavam-se as lágrimas dela, engolia as minhas. Ao final do dia, o abraço do reencontro e o aperto do costume. E a náusea que me levava  a pôr a bata a lavar  logo que chegava a casa. Mais de dez anos depois, a memória persiste. Em lares, poucas vezes entrei. Mas o cheiro, esse, parece que me persegue. O cheiro a sopa. Misturado com cheiros de lexívia e de detergente. E eu gosto de sopa, mas aquele cheiro angustia-me. Nem infantários, nem lares. O princípio e o fim que se tocam, o tempo que não há, a desumanid...

Há vida para além do facebook

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Chega o dia em que há que mudar de ares, perder os likes para se ganhar a liberdade de ter voz e ser anónima ao mesmo tempo. Sem confusões, sem pessoas a estudarem-nos o perfil. Adeus Zucas. Olá blogue! 

É tempo de...

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Cresci numa vila que podia parecer aldeia mas não o era. Tinha amigas que nas férias iam para os avós da aldeia. Eu, que vivia na mesma casa que uns avós e tinha os outros avós a menos de cinco minutos, pensava como seria bom ir para a aldeia. Ter uma aldeia, ser de uma aldeia. Quis o destino que a aldeia de Água Revés aparecesse na minha vida. O gosto pela aldeia deve ter sido algo genético- o meu sogro sonhava com o regresso à aldeia depois de uma vida feita de idas e regre ssos temporários, que passou de pais para filho e para as netas. E se calhar às vezes a genética e o coração conjugam-se, porque eu aprendi a gostar muito da paz, da natureza em estado puro, das pessoas que nem sequer nos conhecem bem e contudo são simpáticas e generosas, das surpresas escondidas em cada ida ao campo, como se houvesse sempre novidades à espera, do cheiro da aldeia, do ar que parece inchar os pulmões, do céu cheio de estrelas, do frio que enregela, do calor de fazer inveja a Mefistófe...
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Quando uma editora chamada ariana publica um livro batizado como dieta de Auschwitz, resta-nos questionar o que anda na cabeça desta gente...