Mensagens

Encontro de gerações

O que dizer quando se acompanha um grupo de pouco mais de uma dezena de jovens com a sua professora  a um lar de idosos para uma experiência intergeracional? Como transmitir o que senti ao ver a alegria com que algumas utentes contavam histórias do passado arrancando sorrisos sinceros e gargalhadas sonoras, a forma empenhada como jovens e menos jovens competiam jogando às cartas e ao dominó ou aquele aluno e aquela aluna que aprenderam a fazer malha com as dicas experientes de senhoras simpáticas e cheias de paciência? Foi uma tarde que valeu bem a pena e fez-me gostar de estar num lar. Quem diria...( coisas da Provedoria do Aluno)

Stalini?!?!

Tenho alguns alunos que me chamam Estaline. Ou melhor, Stalini... Já lhes expliquei que não me parece muito adequado, até porque nem sequer tenho tendência para ditadora, mas enfim, neste momento já se batizaram uns aos outros  também. Um é o Hitler, outro Mussolini, e até há um Hirohito. E hoje um deles confessou-me que com esta brincadeira até sabe a matéria. Mas Estaline?!?! Já os avisei: qualquer dia mando-os para o gulag. :)

Quando a idade deixa de ser um posto

É facil falar de ser idoso quando temos como referência idosos independentes, intelectualmente ativos, com autonomia na gestão do dia-a-dia que necessitam apenas de ajudas pontuais. Mas que dizer dos outros idosos? Dos que estão acamados, dependentes de terceiros para tudo, daqueles que, com princípios de demência, obrigam a um acompanhamento permanente, com atitudes que os põem em perigo? Idosos que necessitam de um apoio multidisciplinar, da enfermagem à psicologia, passan do pela fisioterapia, por atividades de estímulo... Ninguém pensa em deixar um filho de um ano sozinho em casa, para ir trabalhar, e beneficiar de umas horas de redução por ser cuidador deste, pois não? Um idoso dependente também não pode ser deixado em casa, pelo mesmo motivo. Muitos idosos desejam aquilo que confesso, eu desejo para mim. Morrer em casa. Na minha casa.( Sem apitos, nem fios, nem agulhas. Sem meninas a falarem-me como se eu fosse uma criança, a dizerem-me para me portar bem, ou a man...

Parabéns Dizzy

Imagem
  Há quatro anos a nossa casa ganhou um amigo novo. É simpático e meigo, adora mimos, é uma excelente botija natural para o tempo frio, recebe-nos com o mesmo entusiasmo todos os dias (e várias vezes ao dia), continua a detestar ser penteado, foge do aspirador ( e ataca-o corajosamente quando está desligado), assedia visitas femininas deixando-nos envergonhados (será dos perfumes que usam?), cobiça-nos a comida (eu faria o mesmo se fosse obrigada a comer aquela ração), adora jo gar à bola, tem imensa paciência, não morre de amores por crianças, se vê abraços salta solidário à nossa volta, guarda quem está doente, é a sombra do dono e a alegria das "doninhas", que é tipo donas mas em fofinho. Parabéns Amiguinho! Que continues por muitos anos a alegrar as nossas chegadas e a ensinar que a maior alegria de todas é estarmos vivos e todos juntos!

I wish

Gostava muito de ter um ministro da educação que ouvisse os professores antes de tomar medidas. Gostava que os alunos percebessem que a aprendizagem exige esforço e tempo. Gostava de ver um Portugal que motivasse os alunos a estudarem para adquirem competências que lhes permitissem ter um emprego que lhes desse independência económica. Gostava de pais que percebessem que não são melhores pais por terem filhos que são bons alunos (nem ter boas notas significa ser mais intelige nte, embora seja um sossego para pais- filhos e professores), mas sim se tiverem filhos que são melhores pessoas- honestas, solidárias, com valores. Gostava que todos os professores gostassem daquilo que fazem (e sobretudo que gostassem e se preocupassem com aqueles com quem e para quem trabalham) que percebessem que não estão na sala para cumprir programas mas para ensinar os alunos e que não precisam de exames para validar o que fazem ou para mostrar aos seus alunos o grau da sua ignorância... Nun...
Infantários e lares acusam-me um aperto no estômago. Podem estar limpos, bem decorados, mas há aquele momento de náusea em que volto a ter 5 anos, olho para o prato e começo a chorar. Uma menina das mais velhas, que olhavam pelos mais novos durante as refeições diz-me que coma antes que fique de castigo. Contrario a vontade. Volta o cheiro, quase 3 décadas depois. Lágrimas, abraços apertados (só mais um, e outro, e outro) à porta do infantário. Até que é mesmo o último. Acabavam-se as lágrimas dela, engolia as minhas. Ao final do dia, o abraço do reencontro e o aperto do costume. E a náusea que me levava  a pôr a bata a lavar  logo que chegava a casa. Mais de dez anos depois, a memória persiste. Em lares, poucas vezes entrei. Mas o cheiro, esse, parece que me persegue. O cheiro a sopa. Misturado com cheiros de lexívia e de detergente. E eu gosto de sopa, mas aquele cheiro angustia-me. Nem infantários, nem lares. O princípio e o fim que se tocam, o tempo que não há, a desumanid...

Há vida para além do facebook

Imagem
Chega o dia em que há que mudar de ares, perder os likes para se ganhar a liberdade de ter voz e ser anónima ao mesmo tempo. Sem confusões, sem pessoas a estudarem-nos o perfil. Adeus Zucas. Olá blogue!