As
conjunturas de crise (o desemprego, a pobreza) sempre foram amigos da
xenofobia e racismo, habilmente mobilizáveis pelas ideologias
ultranacionalistas. Preocupa-me constatar que as variáveis começam a
conjugar-se e os primeiros sinais de perigo se vislumbram perante a
impassividade de quem os vê como longínquos, ou como actos isolados de
um psicopata. Acreditemos pois que serão atos sem ecos. Mas
desconfiando...
Entre o dizer e o fazer
Sempre gostei de escrever. A par do sono e do sonho, é o melhor meio que encontro para organizar as ideias e, mais do que isso, para me conhecer melhor. O que começou por ser terapia, acabou por se tornar numa necessidade primária, numa forma de me sentir realizada, de manifestar inconformismos ou de encontrar a paz. Contudo, questiono-me se o meu mal não será esse mesmo. Gostar tanto da palavra que acabe por me ficar por ela. Menos palavras, mais ação. Escrevem. Escrevem.Escrevem. Escrevo. E sei que faço alguma coisa, que a consciência devia estar tranquila para aquele que dá o melhor de si, dadas as suas circunstâncias. Mas olho à volta e há sempre tanto por fazer.
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