Ao
longo dos trintas cresci de forma significativa. Sem me aperceber da
situação, e arranjando mil desculpas,as hormonas, a idade, o
metabolismo, medicação, enfim, com a certeza de que até o ar me inflava e
sob o lema de que " quem não é para comer não é para trabalhar" ( que
ainda aprecio bastante, nas duas premissas) lá me fui
michelinizando...Depois de ter feito exames variados ( incluindo uma prova
de esforço em que a máquina disparou ainda eu não tinha corrido
sequer), de passar uma temporada abnegada e cansativa no ginásio ( onde
pude descobrir em mim músculos que nunca sonhara existirem), de estar
com hipertensão, hipoglicemia, e ver na balança números que nem em final
da gravidez atingira, resolvi meter pés ao caminho e consultar uma
nutricionista. Acreditava mais depressa na existência do pai Natal do
que em resultados da dieta. Mas foi o tudo por tudo. Reduzi, alterei, a
sopa tornou-se a amiga fiel. Continuei a comer o que comia antes, mas em
menor proporção. Aliados: sopa e chá. Bem, e café, e coca-cola. E o
facebook também. Houve dias de serem duas e meia da tarde e eu
perguntar: e agora, apetece-me comer? E responder-me uma amiga, aqui no
Fb: bebe água e mastiga uma chiclete. E dias de ir dormir cedo, para
resistir a uma invasão ao frigorifico. E dias de estar a trabalhar, ver
uma gaivota através da janela e imaginá-la assada ( não me orgulho nada
destes pensamentos: assar o símbolo da liberdade?!?!). E houve também as
facadas na dieta, pois claro. Que nisto de aventuras, no amor e nas
dietas, se tiver de ser ao menos que valha a pena. Foi um processo
gradual, com o apoio de amigas ( obrigada P ! Obrigada S! ), e da
família mais chegadinha! Depois vieram as caminhadas. E a verdade é que
se foram perdendo os excessos. Há dois anos, neste dia, eu estava em
obesidade grau 1. Véspera da primeira consulta. Isto de comer é um vicio
como outro qualquer, por isso não sei quanto tempo terá que passar para
que possa dizer que estou " curada"! Mas que ano e meio de peso
saudável já cá canta, é verdade. E é a prova de que querer é poder. O
plano: chegar aos 40 com o peso dos 30! Atingido e suplantado!
Entre o dizer e o fazer
Sempre gostei de escrever. A par do sono e do sonho, é o melhor meio que encontro para organizar as ideias e, mais do que isso, para me conhecer melhor. O que começou por ser terapia, acabou por se tornar numa necessidade primária, numa forma de me sentir realizada, de manifestar inconformismos ou de encontrar a paz. Contudo, questiono-me se o meu mal não será esse mesmo. Gostar tanto da palavra que acabe por me ficar por ela. Menos palavras, mais ação. Escrevem. Escrevem.Escrevem. Escrevo. E sei que faço alguma coisa, que a consciência devia estar tranquila para aquele que dá o melhor de si, dadas as suas circunstâncias. Mas olho à volta e há sempre tanto por fazer.
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