Há
conversas que nos sabem bem no momento, filmes/ livros de que gostamos,
com os quais choramos e rimos, narcotizantes intervalos da vida real
que não deixam memória alguma para além do momento bem passado, pessoas
que convivem connosco como a brisa agradável que nos alivia do calor
excessivo de um dia de verão e depois segue o seu caminho. E depois há
aquelas pessoas, aqueles filmes/livros, aquelas
conversas que parecem novelos cheios de pontas soltas, de pormenores
que aos poucos vamos digerindo, como peças aparentemente soltas de um
puzzle que aos poucos vamos conseguindo conjugar. São aqueles momentos
tipo brainstorming, em que as palavras, as ideias, as imagens se
sobrepõem em múltiplos planos. Parecem feitos de areia e luz. E contudo,
quando os olhos do entendimento se habituam, tudo faz sentido! Gosto
desse tipo de pessoas/ de conversas/ de filmes/ de livros/ e por aí
fora, que não acabam com um " fim", ou um " adeus", que nos deixam com
uma inquietude estranha e ficam a pairar, prontos para aparecerem
inesperada e involuntariamente, e assim darem mais sentido a tudo o que
antes deles só aparentemente o tinha...
Entre o dizer e o fazer
Sempre gostei de escrever. A par do sono e do sonho, é o melhor meio que encontro para organizar as ideias e, mais do que isso, para me conhecer melhor. O que começou por ser terapia, acabou por se tornar numa necessidade primária, numa forma de me sentir realizada, de manifestar inconformismos ou de encontrar a paz. Contudo, questiono-me se o meu mal não será esse mesmo. Gostar tanto da palavra que acabe por me ficar por ela. Menos palavras, mais ação. Escrevem. Escrevem.Escrevem. Escrevo. E sei que faço alguma coisa, que a consciência devia estar tranquila para aquele que dá o melhor de si, dadas as suas circunstâncias. Mas olho à volta e há sempre tanto por fazer.
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