Na
impossibilidade de apagar certas pessoas das nossas vidas, era tão bom
conseguir apagar todas as más memórias que fizeram com que nos
afastássemos delas. O ideal era conseguir fazer um reboot, acreditar que
aquela pessoa realmente mudou, ou na pior das hipóteses conseguir
fingir que se acredita. Devia ter desenvolvido alguns dotes
histriónicos. Enfim, há que reconhecer quando se esgotaram todas as
hipóteses. Se há uniões kármicas, se calhar também há as desuniões
kármicas, sei lá. E não, não gosto nada disto. Mas há sombras na luz.
Entre o dizer e o fazer
Sempre gostei de escrever. A par do sono e do sonho, é o melhor meio que encontro para organizar as ideias e, mais do que isso, para me conhecer melhor. O que começou por ser terapia, acabou por se tornar numa necessidade primária, numa forma de me sentir realizada, de manifestar inconformismos ou de encontrar a paz. Contudo, questiono-me se o meu mal não será esse mesmo. Gostar tanto da palavra que acabe por me ficar por ela. Menos palavras, mais ação. Escrevem. Escrevem.Escrevem. Escrevo. E sei que faço alguma coisa, que a consciência devia estar tranquila para aquele que dá o melhor de si, dadas as suas circunstâncias. Mas olho à volta e há sempre tanto por fazer.
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