"ó
mãe, o que é que tu aprendeste connosco?"- foi com a pergunta da S.,
uma pergunta a que já respondi tantas vezes, que começou a nossa
conversa ao jantar. As três. No feminino. E comprovou-se que as palavras
são como as cerejas. Temas variados, desde o ser/ Sentir-se feliz ( e
os múltiplos conceitos de felicidade e como eles podem variar ), o que é
ser " normal" ( ó mãe, tu não és normal, normal
é seca, para a mais nova, a mais crescida apontou para uma perspetiva
mais filosófica da coisa), as mudanças que ocorrem nas pessoas ao longo
do tempo, até aos critérios a ter em conta para se escolher uma
profissão. Apontei-lhes com a remuneração, responderam-me que o
importante é fazer o que se gosta,(chamem-me idealista, mas penso o
mesmo), se bem que às vezes até se acaba por gostar de cursos que à
partida não agradavam, acrescenta a B....Conversa deliciosa e uma mãe
deliciada. As sementes estão lá! A germinar, a crescer, a dar os
primeiros frutos. Lindas!
Entre o dizer e o fazer
Sempre gostei de escrever. A par do sono e do sonho, é o melhor meio que encontro para organizar as ideias e, mais do que isso, para me conhecer melhor. O que começou por ser terapia, acabou por se tornar numa necessidade primária, numa forma de me sentir realizada, de manifestar inconformismos ou de encontrar a paz. Contudo, questiono-me se o meu mal não será esse mesmo. Gostar tanto da palavra que acabe por me ficar por ela. Menos palavras, mais ação. Escrevem. Escrevem.Escrevem. Escrevo. E sei que faço alguma coisa, que a consciência devia estar tranquila para aquele que dá o melhor de si, dadas as suas circunstâncias. Mas olho à volta e há sempre tanto por fazer.
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