Chegar a casa é ser recebida como uma princesa em dia de festa. E chegar a casa é entrar em casa, tanto faz que tenha saído há oito horas como há cinco minutos, a reação é a mesma. Ele é ganidos, saltos e lambidelas, corre à volta com um brinquedo na boca, desce as escadas a sorrir (sim, eu acho que ele sorri mesmo, arreganhando o lábio inferior e pondo os dentitos à mostra como se de uma dentadura se tratasse), deixa a sua marca em todas as árvores do jardim, volta para casa, vai buscar a bola e empurra-a com o focinho na minha direção, a pedir que brinque com ele. Se lhe faço a vontade, é vê-lo correr aos saltinhos atrás da dita, e trazê-la novamente para "mais uma voltinha"... Quando se cansa, procura um espaço fresco para dormitar, sempre alerta para os ruídos que vêm de lá de fora e pronto a ladrar se pressente alguém à porta do elevador. Há 7 meses que está connosco, e tem-nos feito muito bem! Aprende-se com estes amigos
um novo tipo de afecto. E quanto mais tipos de afectos dominarmos,
melhor. Mais humanos nos tornamos. Ou menos humanos, se calhar. Nem
sempre sei o que será melhor.
Entre o dizer e o fazer
Sempre gostei de escrever. A par do sono e do sonho, é o melhor meio que encontro para organizar as ideias e, mais do que isso, para me conhecer melhor. O que começou por ser terapia, acabou por se tornar numa necessidade primária, numa forma de me sentir realizada, de manifestar inconformismos ou de encontrar a paz. Contudo, questiono-me se o meu mal não será esse mesmo. Gostar tanto da palavra que acabe por me ficar por ela. Menos palavras, mais ação. Escrevem. Escrevem.Escrevem. Escrevo. E sei que faço alguma coisa, que a consciência devia estar tranquila para aquele que dá o melhor de si, dadas as suas circunstâncias. Mas olho à volta e há sempre tanto por fazer.
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