Passa
o cão, ofegante, bola na boca. Seguem-no pai e filha, esta às
gargalhadas. Corredor abaixo, corredor acima, sala dentro, à volta da
mesa. Gargalhada geral. Entretanto acalmam. Vão os três jogar à bola no
corredor. Ao que ouço estão os três empatados. Já não consigo imaginar a
casa sem estas animações coletivas. Há bocado, diz-me a Sofia: "Nunca
imaginei ter um irmão mais novo... Um irmão de 4 patas!"
Entre o dizer e o fazer
Sempre gostei de escrever. A par do sono e do sonho, é o melhor meio que encontro para organizar as ideias e, mais do que isso, para me conhecer melhor. O que começou por ser terapia, acabou por se tornar numa necessidade primária, numa forma de me sentir realizada, de manifestar inconformismos ou de encontrar a paz. Contudo, questiono-me se o meu mal não será esse mesmo. Gostar tanto da palavra que acabe por me ficar por ela. Menos palavras, mais ação. Escrevem. Escrevem.Escrevem. Escrevo. E sei que faço alguma coisa, que a consciência devia estar tranquila para aquele que dá o melhor de si, dadas as suas circunstâncias. Mas olho à volta e há sempre tanto por fazer.
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