Depois
de um dia agitado em que Napoleão decreta o bloqueio continental e
atravessamos as invasões francesas, com a rainha louca a fugir para o
Brasil com a corte atrás, desastres da ponte das barcas a tornar o Porto
a cidade invicta e uma explicação sobre o " ir para o maneta",
seguiram-se a lenda de Rómulo e Remo, a construção do império romano e a
importância da legião. Quatro vezes. Terminei o dia com a guerra fria e
ainda com os planos de fomento e emigração nos anos sessenta. Chego a
casa e tenho Passos Manuel à perna. É muito passado para um dia só...
Entre o dizer e o fazer
Sempre gostei de escrever. A par do sono e do sonho, é o melhor meio que encontro para organizar as ideias e, mais do que isso, para me conhecer melhor. O que começou por ser terapia, acabou por se tornar numa necessidade primária, numa forma de me sentir realizada, de manifestar inconformismos ou de encontrar a paz. Contudo, questiono-me se o meu mal não será esse mesmo. Gostar tanto da palavra que acabe por me ficar por ela. Menos palavras, mais ação. Escrevem. Escrevem.Escrevem. Escrevo. E sei que faço alguma coisa, que a consciência devia estar tranquila para aquele que dá o melhor de si, dadas as suas circunstâncias. Mas olho à volta e há sempre tanto por fazer.
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