Quando
era aluna havia três expressões que nos faziam correr. A primeira era
"PORRADA" (ainda hoje por hábito é assim, uns correm em direção ao local
do acontecimento, outros fogem do dito, raros ficam indiferentes).
Depois havia o "FURO" ou "AULA LIVREEEEEE" coisas que as substituições
mataram, com a necessidade de manter os alunos dentro da sala de aula
como se estar fechado num local com muitos
livros os levasse a assimilar conteúdos assim como que por osmose. Por
isso deixaram de passear pela escola, de conversar com os amigos,
brincar à carica, à "mãezinha dá licença", ao "um,dois, três macaquinho
chinês". Também deixamos de ver as bibliotecas cheias de alunos. Não há
tempo para ir para a biblioteca. Por isso, quando hoje os alunos me
perguntaram: pode ser aula livre? Eu pensei que eles não sabem mesmo o
que era gritar "aula liiiiiiiivre". Sem ter que fugir da professora das
substituições.
Entre o dizer e o fazer
Sempre gostei de escrever. A par do sono e do sonho, é o melhor meio que encontro para organizar as ideias e, mais do que isso, para me conhecer melhor. O que começou por ser terapia, acabou por se tornar numa necessidade primária, numa forma de me sentir realizada, de manifestar inconformismos ou de encontrar a paz. Contudo, questiono-me se o meu mal não será esse mesmo. Gostar tanto da palavra que acabe por me ficar por ela. Menos palavras, mais ação. Escrevem. Escrevem.Escrevem. Escrevo. E sei que faço alguma coisa, que a consciência devia estar tranquila para aquele que dá o melhor de si, dadas as suas circunstâncias. Mas olho à volta e há sempre tanto por fazer.
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