Era tão fácil se fossem(os) todos um bando de acéfalos oportunistas
viciados nos pequenos e grandes poderes, sem capacidade de questionar,
de pensar, de provocar. Era tão fácil substituir o sonho pelas palas, o
desejo de voar pelo conforto do rastejo. Era tão fácil dizer
convictamente que cada um tem aquilo que merece, cruzar os braços num
sofá qualquer perdido em clichés partilhados- "antigamente
é que era bom"ou " agora estamos melhorzinho", " é a vida" ou o golpe
de misericórdia que é o "nunca pior", haja saudinha". Mas não, há quem
tenha muito valor e continue aqui, a lutar por um país melhor, mesmo
tratado como cidadão de segunda, infantilizado, explorado,
subalternizado. Um país que não merece os seus?
Entre o dizer e o fazer
Sempre gostei de escrever. A par do sono e do sonho, é o melhor meio que encontro para organizar as ideias e, mais do que isso, para me conhecer melhor. O que começou por ser terapia, acabou por se tornar numa necessidade primária, numa forma de me sentir realizada, de manifestar inconformismos ou de encontrar a paz. Contudo, questiono-me se o meu mal não será esse mesmo. Gostar tanto da palavra que acabe por me ficar por ela. Menos palavras, mais ação. Escrevem. Escrevem.Escrevem. Escrevo. E sei que faço alguma coisa, que a consciência devia estar tranquila para aquele que dá o melhor de si, dadas as suas circunstâncias. Mas olho à volta e há sempre tanto por fazer.
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