Este natal não foi um natal de prendas- acho que foi o natal em que a
árvore esteve mais vazia.Mas foi um Natal de afetos e de desafios, que
permitiu ver a essência das pessoas (a qualidade dos marinheiros
conhece-se nas tempestades) e sentir que não há bem material algum que
pague o olhar, o abraço, os beijos e o afeto grato de quem nos
reconhece. Um natal de consciência tranquila, em que Deus esteve
presente e nos ajudou. E sobretudo um Natal que nos uniu aos quatro. E
aqui tenho que dizer que estou orgulhosa, com todas as letras, das
minhas filhas que demonstraram o tamanho do seu coração e a capacidade
de lidar com a realidade com sentido de humor e espírito solidário. Vi
nelas o que tenho tentado transmitir-lhes ao longo destes anos. E essa
foi a melhor prenda de Natal que poderia ter!
Entre o dizer e o fazer
Sempre gostei de escrever. A par do sono e do sonho, é o melhor meio que encontro para organizar as ideias e, mais do que isso, para me conhecer melhor. O que começou por ser terapia, acabou por se tornar numa necessidade primária, numa forma de me sentir realizada, de manifestar inconformismos ou de encontrar a paz. Contudo, questiono-me se o meu mal não será esse mesmo. Gostar tanto da palavra que acabe por me ficar por ela. Menos palavras, mais ação. Escrevem. Escrevem.Escrevem. Escrevo. E sei que faço alguma coisa, que a consciência devia estar tranquila para aquele que dá o melhor de si, dadas as suas circunstâncias. Mas olho à volta e há sempre tanto por fazer.
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