Hoje inaugurei o novo livro de receitas. Devo-o ter há uns doze anos,
prenda do dia da mãe da Beatriz, e finalmente chegou o dia de escrever
nele a minha primeira receita. Mas ele já trazia uma receita logo na
primeira página e é mesmo tentadora. :)
Depois de, com o meu último post, receber já tantas e tão carinhosas mensagens daqueles que fizeram caminho comigo naquela que também é escola do meu coração, o Cerco, dei comigo a somar recordações em catadupa. Começando pelo início, mentiria se dissesse que não tive receio. Ou que foi muito fácil e tranquilo. Estava num TEIP que por algum motivo o era. Entrar com 11 turmas foi logo um desafio. Só não tinha duas turmas de 9º, todo o 3º ciclo estava comigo. Vantagens: adquiri um vasto conhecimento dos alunos, e pude conhecer a escola antes do choque com os Cursos de Educação e Formação- que não eram desafio menor. Isso e começar a desejar um bom fim-de-semana às 10 horas de segunda-feira (ter as turmas uma vez por semana tem destas coisas). No ano seguinte, quando comecei a trabalhar também com CEFs, parte dos alunos já me conheciam de outro contexto, o que facilitou bastante. Houve turmas muito complicadas, houve momentos em que me pareceu viver numa realidade paralela. Mas apren...
Meus queridos alunos Ao longo de todos os dias, mais do que ensinar-vos acontecimentos, sempre desejei dar-vos ferramentas para que pudessem pensar. Pensar o passado, compreender o mundo. E mais que isso, que aprendessem a agir. A serem a personagem principal na vossa História e ativos construtores da história comum. Nestes dias tão difíceis vivemos numa alienação estranha em relação à realidade. Como se não houvesse tempo a perder. E todos os professores trataram de enviar trabalhos, criar experiências on-line, criar grupos, múltiplas plataformas. Não estavam de férias, e tiveram que o provar assim. Quem colocou reticências era apelidado de pouco profissional, ou "preguiçoso". Não estavam de férias. Pois não. Estamos em estado de emergência. E penso que haverá professores a pensar que irão ganhar uma medalha de "ôro" por obrigarem toda a gente a trabalhar arduamente durante um estado de emergência. E se calhar até vão. Afinal, é mais comum receberem medalhas os...
A Guerra no ultramar, uma página de um manual de nono ano. País multirracial e pluricontinental, movimentos de independência das colónias, para Angola e com força, estatística dos mortos, feridos e gastos de guerra. Independência das colónias, um parágrafo para o regresso dos retornados e siga. Está feito. Nas aulas partilhamos relatos (cada vez menos, que quem passou pela guerra foi morrendo ou esquecendo, e também há vergonhas que se escondem, e silêncios eternos, que a guerra é como Las Vegas mas em mau- o que lá aconteceu, fica lá). Ainda há os álbuns de fotografias, com as fotos tradicionais com as “namoradas de lá”, dos soldados de braço dado, os aerogramas, as histórias de caça, que parecem limpar o outro lado da guerra. Volta e meia relatos diferentes. Aqueles que levantam a família a meio da noite porque “eles vêm aí”, o familiar que se escondia debaixo da mesa quando o frigorífico fazia um ruído estranho, os estremecimentos quando ouviam helicópteros. Lembro-me agora do homem...
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