Encontramo-nos no autocarro. Homem feito, continua a tratar-me por
"stora", embora já não seja meu aluno há uns seis anos. Mostra-me fotos
dos filhos, ainda pequeninos, fala-me da vida e dos projetos que passam
por tentar a sorte lá fora. De um momento para o outro percebo que estou
há nove anos na mesma escola, e até nisto isso é um privilégio. Vê-los
crescer, perceber que o vendaval da adolescência da lugar à acalmia (
mesmo que relativa, que a vida não é fácil) do jovem adulto. Longe vão
os tempos do sétimo agá. E como passaram tão depressa.
Entre o dizer e o fazer
Sempre gostei de escrever. A par do sono e do sonho, é o melhor meio que encontro para organizar as ideias e, mais do que isso, para me conhecer melhor. O que começou por ser terapia, acabou por se tornar numa necessidade primária, numa forma de me sentir realizada, de manifestar inconformismos ou de encontrar a paz. Contudo, questiono-me se o meu mal não será esse mesmo. Gostar tanto da palavra que acabe por me ficar por ela. Menos palavras, mais ação. Escrevem. Escrevem.Escrevem. Escrevo. E sei que faço alguma coisa, que a consciência devia estar tranquila para aquele que dá o melhor de si, dadas as suas circunstâncias. Mas olho à volta e há sempre tanto por fazer.
Comentários
Enviar um comentário
Também divagaram: