Poderemos
analisar um poema? O grito de um Homem, às vezes a luz da nossa vontade
ensombrada pela falta de talento para o escrever/dar também? Há o poema
ou é o poema? O poema que é em nós quando o ouvimos? Analisar um poema
não será autopsia-lo, como obra acabada? Mas será que o contexto, as
figuras de estilo (se é que ainda existem com este nome), o pai, a
madrasta, os desamores do poeta, as suas adições não são importantes?
Claro que sim. Porém, enquadrar o autor não será enquadrar a obra, e ao
fazê-lo levá-la a perder o encanto da obra em si? Isto de fazer limpezas
pode ser muito filosófico! "Come chocolates, pequena...."
Entre o dizer e o fazer
Sempre gostei de escrever. A par do sono e do sonho, é o melhor meio que encontro para organizar as ideias e, mais do que isso, para me conhecer melhor. O que começou por ser terapia, acabou por se tornar numa necessidade primária, numa forma de me sentir realizada, de manifestar inconformismos ou de encontrar a paz. Contudo, questiono-me se o meu mal não será esse mesmo. Gostar tanto da palavra que acabe por me ficar por ela. Menos palavras, mais ação. Escrevem. Escrevem.Escrevem. Escrevo. E sei que faço alguma coisa, que a consciência devia estar tranquila para aquele que dá o melhor de si, dadas as suas circunstâncias. Mas olho à volta e há sempre tanto por fazer.
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