Quando a lei de proteção aos animais saiu tive a ilusão de que estes
passariam a ser tratados de outra maneira. Afinal constato que cada vez
há mais abandonos, há cães que não são chipados, há donos que arrancam o
chip do cão para não serem identificados, enfim, os maus tratos
continuam. Se a lei vale alguma coisa quando um cão é maltratado por
alguém que não o dono, quando de facto a negligência ou
as agressões são feitas por quem deveria cuidar dele a lei acaba por
ser inútil. Diante de alguém que bate num cão, a pressão pode levar a
que simplesmente o cão "desapareça". O cão merece que se goste dele
porque se gosta e não porque a lei obriga. Quem não gosta, nem com a lei
lá vai. Mas as leis não servem de nada? Servem. Mas as mentalidades não
mudam à velocidade da pena do legislador. E já agora essa história de
continuarem a existir canis de abate (mesmo que adocem a realidade com a
eufemística designação de eutanásia) parece-me absolutamente ilegal.
Como se um cão, ao entrar num canil, perdesse todos os direitos. Por
tudo isto há quem defenda que mais vale um cão na rua do que chamar o
canil...
Entre o dizer e o fazer
Sempre gostei de escrever. A par do sono e do sonho, é o melhor meio que encontro para organizar as ideias e, mais do que isso, para me conhecer melhor. O que começou por ser terapia, acabou por se tornar numa necessidade primária, numa forma de me sentir realizada, de manifestar inconformismos ou de encontrar a paz. Contudo, questiono-me se o meu mal não será esse mesmo. Gostar tanto da palavra que acabe por me ficar por ela. Menos palavras, mais ação. Escrevem. Escrevem.Escrevem. Escrevo. E sei que faço alguma coisa, que a consciência devia estar tranquila para aquele que dá o melhor de si, dadas as suas circunstâncias. Mas olho à volta e há sempre tanto por fazer.
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