Semana negra para a adolescência nacional. Um miúdo agredido, outro
assassinado. Ao longo de 20 anos, assisti a tantas mudanças no ensino
quantos os ministros que passaram pela pasta da educação. Mais horas,
menos horas, mais disciplinas ou ACND, menos disciplinas, novos
programas, novas metas, taxas de sucesso a todo o custo para ficar bem
nas estatísticas. A par disso, a total descredibilização dos
docentes, o crescendo de uma indisciplina que já não é do recreio nem
da sala de aula... Lembro-me de dizer a pais dos meus meninos "a
indisciplina é muitas vezes um medir forças e o questionar da
autoridade. Cuidado, hoje desrespeitam professores, um dia mais tarde
farão o mesmo aos pais". E farão o mesmo na sociedade. É a factura,
estamos a começar a pagá-la. Não falta o que mudar, se perdermos o medo
das estatísticas talvez ganhemos o futuro. Haja vontade e bom senso.
Entre o dizer e o fazer
Sempre gostei de escrever. A par do sono e do sonho, é o melhor meio que encontro para organizar as ideias e, mais do que isso, para me conhecer melhor. O que começou por ser terapia, acabou por se tornar numa necessidade primária, numa forma de me sentir realizada, de manifestar inconformismos ou de encontrar a paz. Contudo, questiono-me se o meu mal não será esse mesmo. Gostar tanto da palavra que acabe por me ficar por ela. Menos palavras, mais ação. Escrevem. Escrevem.Escrevem. Escrevo. E sei que faço alguma coisa, que a consciência devia estar tranquila para aquele que dá o melhor de si, dadas as suas circunstâncias. Mas olho à volta e há sempre tanto por fazer.
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