Dizer a um aluno que passa a vida agarrado ao telemóvel que há 35 anos
nem toda a gente tinha telefone em casa, e se ia telefonar à cabine ou à
mercearia ou aos correios é tão surreal como falar das relações
feudo-vassálicas ou da legião romana. Mas pior, dei comigo a
perguntar-lhes: vocês sabem o que é uma mercearia? É que eu não me
lembro da última vez em que estive numa...
Entre o dizer e o fazer
Sempre gostei de escrever. A par do sono e do sonho, é o melhor meio que encontro para organizar as ideias e, mais do que isso, para me conhecer melhor. O que começou por ser terapia, acabou por se tornar numa necessidade primária, numa forma de me sentir realizada, de manifestar inconformismos ou de encontrar a paz. Contudo, questiono-me se o meu mal não será esse mesmo. Gostar tanto da palavra que acabe por me ficar por ela. Menos palavras, mais ação. Escrevem. Escrevem.Escrevem. Escrevo. E sei que faço alguma coisa, que a consciência devia estar tranquila para aquele que dá o melhor de si, dadas as suas circunstâncias. Mas olho à volta e há sempre tanto por fazer.
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