Descobrimos, no baixo (que é como na aldeia chamam ao rés-do-chão da casa, onde no nosso caso é a garagem, o armazém, a oficina e outras coisas mais, que o espaço é multifuncional) um balde cheio de azeitonas. Não sabemos quando a avó as terá preparado, mas é como uma prenda surpresa, ali, à nossa espera. Um "olhem que eu ainda consigo surpreender, mesmo estando a ver-vos do outro lado desde janeiro". O Luís diz que são as melhores azeitonas que já comeu, e se lhes reconheço bom sabor, salgado, ácido, numa textura rija, mais sinto o significado que lhes dá. Isto do luto tem tanto que se lhe diga.
Entre o dizer e o fazer
Sempre gostei de escrever. A par do sono e do sonho, é o melhor meio que encontro para organizar as ideias e, mais do que isso, para me conhecer melhor. O que começou por ser terapia, acabou por se tornar numa necessidade primária, numa forma de me sentir realizada, de manifestar inconformismos ou de encontrar a paz. Contudo, questiono-me se o meu mal não será esse mesmo. Gostar tanto da palavra que acabe por me ficar por ela. Menos palavras, mais ação. Escrevem. Escrevem.Escrevem. Escrevo. E sei que faço alguma coisa, que a consciência devia estar tranquila para aquele que dá o melhor de si, dadas as suas circunstâncias. Mas olho à volta e há sempre tanto por fazer.
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