Não é o acordo ortográfico que vai prejudicar a cultura nacional ou o
nível de literacia geral. Os jovens, na generalidade, não lêem ou, se o
fazem, é por obrigatoriedade académica. Os livros ganham pó nas
estantes, substituídos pela era digital, pela consulta rápida ou pelo
resumo que assim alivia olhos e tempo para redes sociais e afins. E é
isso que me aborrece. Quem dera que fosse só o acordo... E já agora,
perdemos um dos símbolos da nação (a moeda) há uns anos, soberania é o
que se vê, e andamos aqui às voltas com acentos e cês e pês? Sim,
senti-lhes a falta há uns seis anos. Habituei-me. E cansa-me este
radicalismo da escrita. O importante é a ação. Ou acção. A que não se
escreve.
Entre o dizer e o fazer
Sempre gostei de escrever. A par do sono e do sonho, é o melhor meio que encontro para organizar as ideias e, mais do que isso, para me conhecer melhor. O que começou por ser terapia, acabou por se tornar numa necessidade primária, numa forma de me sentir realizada, de manifestar inconformismos ou de encontrar a paz. Contudo, questiono-me se o meu mal não será esse mesmo. Gostar tanto da palavra que acabe por me ficar por ela. Menos palavras, mais ação. Escrevem. Escrevem.Escrevem. Escrevo. E sei que faço alguma coisa, que a consciência devia estar tranquila para aquele que dá o melhor de si, dadas as suas circunstâncias. Mas olho à volta e há sempre tanto por fazer.
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