Viviam incentivados a remar muito. Muito tempo, muito esforço, muito
sacrifício. Uns remavam para um lado, outros para outro, volta a meio o
barco em vez de andar para a frente, andava às voltas, mas o importante
era andar sempre a remar. Sempre os mesmos remadores. Uns a ver o quanto
os outros remavam. Para remarem com eles, ou contra eles. Volta e meia
enchia-se o barco. Remavam os mesmos, mas estatisticamente havia mais a
remar. Ventos e tempestades. Sol e acalmia. Remavam sempre. De tempos a
tempos chamam-se os remadores e perguntava-se: então por que raio não
chegamos a lado nenhum? E eles voltavam aos remos. E cada um, à sua
maneira, remava.
Entre o dizer e o fazer
Sempre gostei de escrever. A par do sono e do sonho, é o melhor meio que encontro para organizar as ideias e, mais do que isso, para me conhecer melhor. O que começou por ser terapia, acabou por se tornar numa necessidade primária, numa forma de me sentir realizada, de manifestar inconformismos ou de encontrar a paz. Contudo, questiono-me se o meu mal não será esse mesmo. Gostar tanto da palavra que acabe por me ficar por ela. Menos palavras, mais ação. Escrevem. Escrevem.Escrevem. Escrevo. E sei que faço alguma coisa, que a consciência devia estar tranquila para aquele que dá o melhor de si, dadas as suas circunstâncias. Mas olho à volta e há sempre tanto por fazer.
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