As aulas acabaram no início de junho, logo para o cidadão comum esses
sanguessugas da função pública a que pomposamente se dá o nome de
docentes já vão a meio do terceiro mês de férias. Bandidos. E contudo,
há um número muito significativo de professores que após o término das
aulas continuou a marcar presença na escola para as mais variadas
tarefas, ou esteve em casa ao serviço do ministério na bem remunerada
atividade de classificar exames. Os exames da segunda fase foram entregues
entre 30 e 31 de de julho. Mas não, as coisas não ficam por aí.
Anteontem vi um post de um amigo a anunciar que finalmente ia de férias.
Imagino que a cumprir a tradição tenha estado até agora na tarefa de
fazer os horários para próximo ano letivo. Hoje percebo que continuam os
concursos de docentes. Mas será que os professores não mereciam um
bocadinho mais de respeito pelo seu tempo de férias? Terão que ir para a
praia de computador atrás não vá perderem a oportunidade de submeter
mais uma candidatura? Cá para mim o Mec pensa que ao que lhes (nos)
paga, não vamos mesmo para lado nenhum...
Entre o dizer e o fazer
Sempre gostei de escrever. A par do sono e do sonho, é o melhor meio que encontro para organizar as ideias e, mais do que isso, para me conhecer melhor. O que começou por ser terapia, acabou por se tornar numa necessidade primária, numa forma de me sentir realizada, de manifestar inconformismos ou de encontrar a paz. Contudo, questiono-me se o meu mal não será esse mesmo. Gostar tanto da palavra que acabe por me ficar por ela. Menos palavras, mais ação. Escrevem. Escrevem.Escrevem. Escrevo. E sei que faço alguma coisa, que a consciência devia estar tranquila para aquele que dá o melhor de si, dadas as suas circunstâncias. Mas olho à volta e há sempre tanto por fazer.
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