Não há pessoas boas nem pessoas más, dir-me-ão sensatamente. Todos somos
bons e maus e mais ou menos, conforme as circunstâncias, a nossa
capacidade de reação, aqueles que nos rodeiam e aquilo que com eles já
vivemos ou deles presenciamos. Todavia cada vez me convenço mais de que
para certas maldades não há desculpas, por muito que se contextualize
quem as pratica. E no dia-a-dia? Sinto que há pessoas que nos fazem
sentir e ser melhores, mas há aquelas que despertam maus sentimentos,
que nos drenam, que são incapazes de gostar de outros que não de si
próprios e cuja simpatia, quando a há, soa a falso e nos deixa de pé
atrás. Infelizmente acho que não tenho capacidade para viver com elas e
porque nestes casos sou como um espelho que reage na medida do que
reflito, tornando-me igual ao que não gosto, sei que o melhor é a
distância. Há uns 20 anos, confessei este pecado de não conseguir gostar
de toda a gente, e um padre respondeu-me "não tens que gostar de toda a
gente, desde que não faças mal a quem não gostas". Aliviou-me, mas não
me sossegou. ( Ah, pessoas de quem não gosto são muito poucas. Chega-me
uma mão para as contar e sobram dedos...)
Entre o dizer e o fazer
Sempre gostei de escrever. A par do sono e do sonho, é o melhor meio que encontro para organizar as ideias e, mais do que isso, para me conhecer melhor. O que começou por ser terapia, acabou por se tornar numa necessidade primária, numa forma de me sentir realizada, de manifestar inconformismos ou de encontrar a paz. Contudo, questiono-me se o meu mal não será esse mesmo. Gostar tanto da palavra que acabe por me ficar por ela. Menos palavras, mais ação. Escrevem. Escrevem.Escrevem. Escrevo. E sei que faço alguma coisa, que a consciência devia estar tranquila para aquele que dá o melhor de si, dadas as suas circunstâncias. Mas olho à volta e há sempre tanto por fazer.
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