Confesso que sigo alguns desses blogues onde os pais falam dos filhos,
das conquistas dos filhos, dos seus desafios, dos problemas. Fazem-nos
sentir quase membros da família, sabemos os nomes dos miúdos, se
entraram no conservatório ou andam no futebol, se têm ciúmes dos irmãos,
que segredos trocam com a mãe. Não tem mal nenhum, pensaria eu. Não tem
mal nenhum, diz uma das bloguers que costumo seguir e que cuja fluidez e
boa disposição da escrita cativam facilmente (falo do blogue
Coco na Fralda), tenho filhos bem resolvidos e há muito da nossa vida
que fica fora do blogue. Acredito. Mas dei comigo a pensar: será que eu
gostava que a minha mãe publicasse coisas minhas/nossas numa rede
social? Será que eu gostava de chegar aos 15 anos e encontrar a história
da minha vida nas redes sociais? Eu, que sempre gostei de registos, da
história construída passo a passo nos livros do bebé que fiz para cada
uma das filhas, eu que por vezes escrevo aqui mais do que devia, eu que
muitas vezes acho que não tem mal, dei comigo a concluir que... Não. Eu
não gostava mesmo nada que me expusessem, que contassem coisas minhas ao
mundo. Acho que as crianças têm direito à privacidade, e expô-las,
mesmo com muito amor e humor e seleção de conteúdos, não deixa de ser
expô-las. Até porque um filho não é uma personagem de um blogue, não
pode ser...
Entre o dizer e o fazer
Sempre gostei de escrever. A par do sono e do sonho, é o melhor meio que encontro para organizar as ideias e, mais do que isso, para me conhecer melhor. O que começou por ser terapia, acabou por se tornar numa necessidade primária, numa forma de me sentir realizada, de manifestar inconformismos ou de encontrar a paz. Contudo, questiono-me se o meu mal não será esse mesmo. Gostar tanto da palavra que acabe por me ficar por ela. Menos palavras, mais ação. Escrevem. Escrevem.Escrevem. Escrevo. E sei que faço alguma coisa, que a consciência devia estar tranquila para aquele que dá o melhor de si, dadas as suas circunstâncias. Mas olho à volta e há sempre tanto por fazer.
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