Aos que emigraram, aos que ficaram nos corredores dos hospitais, aos que
nunca mais tiveram colocação numa escola, aos que não fizeram exames
porque o médico não os pode pedir, aos que ficaram desempregados, aos
que perderam apoios sociais, aos que perderam os seus rendimentos, aos
que trabalham cada vez mais e ganham cada vez menos, aos que nem sabem
como aguentam... Aos que a 15 de setembro sonharam mudar e encheram as
ruas. Aos que lutaram para que nós pudéssemos escolher, participar, ser
em liberdade, porque as portas que abril abriu não podem continuar a ser
fechadas...
Entre o dizer e o fazer
Sempre gostei de escrever. A par do sono e do sonho, é o melhor meio que encontro para organizar as ideias e, mais do que isso, para me conhecer melhor. O que começou por ser terapia, acabou por se tornar numa necessidade primária, numa forma de me sentir realizada, de manifestar inconformismos ou de encontrar a paz. Contudo, questiono-me se o meu mal não será esse mesmo. Gostar tanto da palavra que acabe por me ficar por ela. Menos palavras, mais ação. Escrevem. Escrevem.Escrevem. Escrevo. E sei que faço alguma coisa, que a consciência devia estar tranquila para aquele que dá o melhor de si, dadas as suas circunstâncias. Mas olho à volta e há sempre tanto por fazer.
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