Chegar ao balcão e ter uma feijoada para degustar, ainda antes de ver a ementa. "Se soubesse que vinha, tinha feito rabanadas"diz o anfitrião, de sorriso sincero e acolhedor. Uma ementa cantada, onde os sabores tentam o palato. Cada qual pede a seu gosto. Delicio-me com migas de feijão frade com grelos e filetes de pescada, provo panados e bacalhau com natas...Ainda me aparece um bocadinho de vitela assada, muito tenra, para provar. Recomeçam as tentações. Pudim de chocolate com baba de camelo, bolo de chocolate com cerveja, bolo de bolacha e Pudim Abade de Priscos. Prova daqui e dali, tudo aprova com distinção. Cozinhar é uma arte, saber receber também, e quando ambos se conjugam sentimo-nos em casa de amigos. Mesmo ao balcão...
Entre o dizer e o fazer
Sempre gostei de escrever. A par do sono e do sonho, é o melhor meio que encontro para organizar as ideias e, mais do que isso, para me conhecer melhor. O que começou por ser terapia, acabou por se tornar numa necessidade primária, numa forma de me sentir realizada, de manifestar inconformismos ou de encontrar a paz. Contudo, questiono-me se o meu mal não será esse mesmo. Gostar tanto da palavra que acabe por me ficar por ela. Menos palavras, mais ação. Escrevem. Escrevem.Escrevem. Escrevo. E sei que faço alguma coisa, que a consciência devia estar tranquila para aquele que dá o melhor de si, dadas as suas circunstâncias. Mas olho à volta e há sempre tanto por fazer.
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