A escola onde trabalho é conhecida na comunicação social por motivos habitualmente menos felizes. E contudo, é com orgulho que digo que trabalho no Cerco. Têm sido anos de desafios, de conquistas, de avanços e recuos, de turmas difíceis que me obrigaram a dar voltas à imaginação para conseguir chegar até eles, de alunos de uma generosidade imensa, de experiências inesquecíveis. De abraços, de lágrimas, de reclamações, de sermões, de cumplicidades, de olhares, de brincadeiras muito sérias. Ensinaram-me a ser como eles, "à cara podre", que é como quem diz, a dizer o que penso. Ensinaram-me que é possível florescer nas condições mais adversas. Que é possível resistir. Espero ter-lhes ensinado que é preciso não desistir de sonhar e de lutar pelos sonhos. E aproveitar o que cada dia nos dá. E lutarmos por sermos um bocadinho melhores todos os dias. Gostava que se lembrassem de mim como alguém que além de lhes ensinar um bocadinho do mundo, os ajudou a serem pessoas melhores.
Entre o dizer e o fazer
Sempre gostei de escrever. A par do sono e do sonho, é o melhor meio que encontro para organizar as ideias e, mais do que isso, para me conhecer melhor. O que começou por ser terapia, acabou por se tornar numa necessidade primária, numa forma de me sentir realizada, de manifestar inconformismos ou de encontrar a paz. Contudo, questiono-me se o meu mal não será esse mesmo. Gostar tanto da palavra que acabe por me ficar por ela. Menos palavras, mais ação. Escrevem. Escrevem.Escrevem. Escrevo. E sei que faço alguma coisa, que a consciência devia estar tranquila para aquele que dá o melhor de si, dadas as suas circunstâncias. Mas olho à volta e há sempre tanto por fazer.

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