Ensinar é abrir janelas, é mostrar caminhos, é ajudar nas escolhas sem as impor, é dar sentido, é tirar o tapete das certezas e incentivar a fazer diferente, é perder o medo de tentar, é recusar chavões, é por em causa, é ouvir muito, ouvir sobretudo com os olhos e com o coração. Ensinar não pode ser viver atravancado em programas que não acabam e tornam os professores em coelhos da Alice, sempre atrasados... Ensinar não devia estar nas mãos de professores que têm alunos preferidos (aqueles que tiram boas notas e prometem boas figuras- para eles? para os professores?- nos exames) e marginalizam os "outros" a quem brindam com epítetos que os fariam correr para a escola se os alvos desses mimos fossem os seus filhos. Ensinar só faz sentido se o que se ensina e o como se ensina fizerem sentido. E sobretudo, o para que é que se ensina? Ensinar exige humildade, exige coragem e exige foco no aprender. O aprender de quem aprende e o aprender de quem ensina. Foram nove meses muito intensos, de transformação profunda, que finalmente começam a ganhar a forma e a traduzir-se em ideias concretas. Como se finalmente o turbilhão começasse a acalmar. Ou não...
Entre o dizer e o fazer
Sempre gostei de escrever. A par do sono e do sonho, é o melhor meio que encontro para organizar as ideias e, mais do que isso, para me conhecer melhor. O que começou por ser terapia, acabou por se tornar numa necessidade primária, numa forma de me sentir realizada, de manifestar inconformismos ou de encontrar a paz. Contudo, questiono-me se o meu mal não será esse mesmo. Gostar tanto da palavra que acabe por me ficar por ela. Menos palavras, mais ação. Escrevem. Escrevem.Escrevem. Escrevo. E sei que faço alguma coisa, que a consciência devia estar tranquila para aquele que dá o melhor de si, dadas as suas circunstâncias. Mas olho à volta e há sempre tanto por fazer.
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