Estava em modo de ecografia, quando subitamente o ouvi. Todo despachado,
num som que me foi familiar e me trouxe tão boas recordações.
Recordações de ouvir bater corações dentro de mim. Corações que batiam
bem mais depressa do que o meu. Corações que sendo a razão do meu
coração, valiam (valem) tão mais do que ele. Percebi que ouvi muitas
vezes os corações delas. Das minhas filhas. Ainda não as conhecia, não
lhes sabia dos traços, nem do choro, nem dos sorrisos. Mas já sabia como
soava o seu coração. Hoje, conscientemente, percebi que afinal anda por
aqui um coração que galopa nas emoções e bate cheio de vontade. E eu,
que sinto e penso contigo, tão mais vezes do que devia, tenho de
confessar que me fez muito bem ouvir-te, coração!
Entre o dizer e o fazer
Sempre gostei de escrever. A par do sono e do sonho, é o melhor meio que encontro para organizar as ideias e, mais do que isso, para me conhecer melhor. O que começou por ser terapia, acabou por se tornar numa necessidade primária, numa forma de me sentir realizada, de manifestar inconformismos ou de encontrar a paz. Contudo, questiono-me se o meu mal não será esse mesmo. Gostar tanto da palavra que acabe por me ficar por ela. Menos palavras, mais ação. Escrevem. Escrevem.Escrevem. Escrevo. E sei que faço alguma coisa, que a consciência devia estar tranquila para aquele que dá o melhor de si, dadas as suas circunstâncias. Mas olho à volta e há sempre tanto por fazer.
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