Desligar o pensamento e concentrar-me no que me dão os sentidos. As abelhas, os grilos, uns passaritos, um senhor que volta e meia protesta ao longe (com a burra, dizem-me), a brisa que agita as ervas, um serrote que corta os ramos das oliveiras acabadas de podar. As borboletas que começam a aparecer, as flores que enfeitam as árvores, as cerejeiras que secaram apesar dos meus abraços de outros anos, o sol que pede roupa mais fresca, as ovelhas do caminho com quem gosto de falar (porque elas respondem), a falta de fôlego do caminho íngreme e a recompensa da vista ao chegarmos ao destino. A terra não é só a terra. A terra guarda a alma dos que a cuidaram como se fosse um pouco de si. A terra, esta terra, guarda muitas histórias. E já faz parte da minha história também.
Entre o dizer e o fazer
Sempre gostei de escrever. A par do sono e do sonho, é o melhor meio que encontro para organizar as ideias e, mais do que isso, para me conhecer melhor. O que começou por ser terapia, acabou por se tornar numa necessidade primária, numa forma de me sentir realizada, de manifestar inconformismos ou de encontrar a paz. Contudo, questiono-me se o meu mal não será esse mesmo. Gostar tanto da palavra que acabe por me ficar por ela. Menos palavras, mais ação. Escrevem. Escrevem.Escrevem. Escrevo. E sei que faço alguma coisa, que a consciência devia estar tranquila para aquele que dá o melhor de si, dadas as suas circunstâncias. Mas olho à volta e há sempre tanto por fazer.


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