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Acabo de ler que ao pé destes gatunos, Salazar era um santo ( tinha maiúscula, mas não me apetece). Que a culpa disto tudo é do 25 de Abril. Que antes é que era bom, porque não havia ladrões. ( pois, também não havia muito que roubar. Mas diz a minha avó que às vezes lhe desapareciam galinhas, ou roupa que ficasse estendida durante a noite) . Se calhar também inventaram a pide, a tortura, os exílios por se dizer que as pessoas eram pobres, a guerra e por aí fora. É. Queixavam-se, os terroristas. Alguns até eram bispos. Tiveram que ser postos na ordem. Estes branqueamentos da história assustam-me tanto quanto me revoltam. Mesmo...
Há uns tempos que penso nisto: o que seria de Fernando Pessoa com a medicação adequada???
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Esta canção era ouvida diariamente no carro, entre Fala e a faculdade de direito. O David, meu senhorio, estudante de direito e trabalhador na Filantrópica, a sua esposa, a Deolinda, finalista das letras, e nós ( a Bernardete e eu), caloiras, lá íamos cantarolando ( uns mais para fora, outros para dentro). Quando a vida mudou de rumo, perdemos o contacto. Ao ouvir a canção, vieram as lembranças. Sobretudo da filha do casal, a Joãozinha, que me chamava a " Paulinha das histórias"...
Estou a sentir aquele cansaço de final de período. Aquele que dá vontade de hibernar, ou de me dedicar ao mapling por uma semana, ou reduzir-me a uma não existência, de não ver número nem letra até que a sede de palavras me invada de novo. Tão cansada que limpezas de Páscoa me soam a tortura quaresmal. De forma que me vou refugiar em vale de lençóis, mesmo sabendo que pela velha é hora de jantar e não de ir dormir. Inté!
E pronto, agora temos o tipo de amigo que faltava: o inimigo! O inimigo fiel vale mais que o amigo faz de conta. Com o inimigo não se pode contar, sabe-se sempre que é contra e até pode servir como estímulo. O inimigo no fundo até gosta de nós, se se dá ao trabalho de nos querer chatear. E há quem diga que o nosso maior inimigo somos nós mesmos. 
Ás vezes eu sou esta. Outras vezes esta é aquela que tento ser. Com muita força. Porque o pessimista é o otimista realista, dizem. E há dias em que o optimismo é ameaçado por overdoses de vida real.
Houve um tempo em que eu chamava à quarta feira o dia do "código postal". É "meio caminho andado"...