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  Ouvido na rua, da boca de um miúdo com uns 3 ou 4 anitos, a respeito do Dizzy: "Viste, pai, aquele cão estava a andar com patas fofas". Dizzy Patas Fofas.

Gula

Gosto de broa de avintes. Simples. Com manteiga. Com marmelada. Com doce. Com leite simples. Com leite com café. Com café. Com azeitonas. Com sopa. Com carne assada. Com peixe. E imagino que na versão de sopas de cavalo (ou de burro) cansado também deve ficar bem. Por outras palavras, a lembrar: NÃO comprar broa de avintes. Mas enquanto a houver, sei bem quem a há-de comer! Bom dia! E viva o S. João
Passa o cão, ofegante, bola na boca. Seguem-no pai e filha, esta às gargalhadas. Corredor abaixo, corredor acima, sala dentro, à volta da mesa. Gargalhada geral. Entretanto acalmam. Vão os três jogar à bola no corredor. Ao que ouço estão os três empatados. Já não consigo imaginar a casa sem estas animações coletivas. Há bocado, diz-me a Sofia: "Nunca imaginei ter um irmão mais novo... Um irmão de 4 patas!"
Durante alguns anos trabalhei fora do Porto, logo o dia de S. João não era feriado, e invariavelmente havia o serviço normal do final do ano lectivo. Tinha a Beatriz 4 anitos, foi para a pré no dia 24 de Junho, um dia em que poucos miúdos compareceram porque tinham ido para o S. João. Quando a fui buscar a educadora confidenciou-me: "estivemos a falar do S. João. Dos martelinhos ainda me falou, ma s quando lhe perguntei o que era costume jantar respondeu-me espaguete com carne"... Tive que lhe dizer que esse fora mesmo o jantar da véspera. Daí em diante houve algumas sardinhadas, e cheguei até a assar sardinhas em casa, comprovando que o detentor de fumos é absolutamente ineficaz e que umas simples sardinhas conseguem perfumar o meu apartamento e o do vizinho de baixo. Ah, hoje não vou assar sardinhas. Tenho aí umas numa latinha, com cebola e azeitonas e broa de avintes... Lololololol
Ao longo do tempo as revoluções fazem-se pelo povo que é ultrapassado rapidamente por uma elite que se resolve a encabeça-lo e toma conta da revolução, no sentido de retomar o status quo limitando-se a substituir os cabecilhas. Não sou anarquista e por isso não defendo que o poder caia na rua. Mas ignorar a rua pode ser ainda mais devastador para um poder que se afirma representante da vontade do povo. Montesquieu falava dos perigos da acumulação de poderes. Nós constatamos que o poder pode ignorar as leis. O cidadão que ignora a lei é anarca e desobediente e incorre em crime, o poder que desdiz pela ação as leis que outros fizeram ou as muda a seu bel prazer para reforço das suas decisões é o quê? O contrato social não é uma teoria remota de Rousseau, é a base da democracia. Mas Rousseau também dizia que o Homem nasce naturalmente bom e a sociedade corrompe-o. O poder terá capacidade corrosiva extraordinária?
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Acabo de ver um ex-aluno meu na televisão. Vitorino Antunes, jogador do Málaga. Da minha direcção de turma no oitavo ano, o prof de Educação Física dizia que ele era mesmo muito bom. As notas ressentiam-se com os treinos, a mãe ameaçava tirá-lo do futebol. E eu lá tentava convencê-la a castigos alternativos. Passou de ano, não voltou a ser meu aluno. E mais de uma década depois, o Vitorino que para nós era Gabriel aparece-me no écran! Ainda bem que conseguiu concretizar o seu sonho!  

Mimos

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