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Turmas de 40?!?!

Passo a vida a ouvir dizer: no meu tempo havia 40 alunos numa turma e aprendíamos todos. Pois aprendíamos. No meu tempo (e falo do final dos anos 70 e início dos 80) também fazíamos fila em frente da professora, que nos perguntava a tabuada e se falhássemos, reguada. Eu adorava a minha professora- na altura dizia-se professora primária (estes adjectivos lembram-me sempre uma amiga educadora que di zia "não sou "infantil", sou "de infância"), e só me recordo da reguada do 4 vezes oito que confundi com o 4 vezes nove, mas lembro-me de um amigo a correr, a fugir da professora, que era uma senhora mas dessa vez também correu atrás dele, de régua em punho. E sim, éramos quarenta, mas a partir do sexto ano éramos poucos que a maior parte das meninas ia para as fábricas e os rapazes para as obras. Não foi assim há tanto tempo. No tempo das turmas de 40 os pais não diziam aos filhos que a escola não servia para nada. Alguns até incentivavam aos estudo, o...

As avós

Estava para aqui a pensar na avó Graminda. Tantas vezes lhe respondi torto, ou a critiquei por gostar de falar da vida alheia e saber a que horas é que os vizinhos chegavam a casa, por exemplo -sim que nas insónias nocturnas distraia-se na janela e durante o dia estava ao balcão a comprar, vender e conversar- no fundo, era tipo facebook numa versão live. Mas na verdade era também com ela que ao d omingo ia à missa, ou à festa anual dos combonianos, a alguma excursão (aqui menos que eu enjoava e ela também não saia muito). Era ela quem me comprava pacotes de batatas fritas ou o sumol para o domingo (e como era logo uma grade inteira, também matava desejos súbitos a meio da semana), e cozia ossos de suã ou fazia costeletas por minha causa, dado que eu não comia animais que tivesse conhecido ( criavam-se coelhos e galinhas lá em casa. E pombas, rolas, periquitos, melro e canário...e ainda um laguinho com peixes). Foi essa avó que me ofereceu a pasta académica, e que todas...

OBRIGADA PELAS VISITAS!

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O meu vizinho

Tudo começou com um desmaio, enquanto estava a conduzir. Profissionalmente guiava camiões com cargas perigosas, foi uma sorte não ter acontecido nada de maior. Julgava-se que tinha um tipo de epilepsia, mas acabou por concluir-se que é cancro no cérebro. Não pode ser operado. Tem duas filhas pequenas- a mais velha terá 10 ou 11 anos. Neste momento anda muito devagar, como se estivesse em constante equilíbrio. Não há prognósticos, ou se calhar não os partilha (pelo que sei quando a esperança é reduzida os médicos dão prazos à vida das pessoas como se estivessem a falar de iogurtes... e desculpem-me mas essa história dos prazos mexe comigo, porque no fundo todos temos um prazo, se calhar é preferível não o sabermos e termos apenas a consciência de que ele existe para não desperdiçarmos o tempo que temos.). Falo do meu vizinho da frente. Passei agora por ele, e não conseguia escrever sobre mais nada.
O mais certo é ligarmo-nos aos que nos parecem semelhantes, aos que admiramos, aos que estão de acordo com o que dizemos, aos que nos são familiares mesmo sem os termos conhecido, aos que até contamos coisas privadas (se calhar porque não são conhecidos), aos que partilham as mesmas histórias ou se debatem com os mesmos desafios. Há três anos, a minha página inicial estava recheada de imagens e t extos sobre a felicidade, o amor, a persistência. Depois veio a fase das manifestações, das revoltas (e aqui era curioso aparecerem amigos da esquerda, da direita, do centro e os desalinhados- e às vezes os desalinhados pareciam-me os mais politicamente acertados de todos) e manifs, e greves. E também os grupos solidários, cuja luta diária é tão meritória que devia ter mesmo um destaque maior. Agora, de um momento para o outro são notícias constantes de crianças, jovens e adultos que necessitam de suporte financeiro para fazerem tratamentos contra o cancro no estrangeiro. E as...

E aquilo que nunca sonhei ver da janela de casa:

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  Campainhas a tocar às 11 não é normal. Tenho um carro a arder por baixo da varanda. Tive que levantar a mais nova para a puxar para a zona da sala. Os airbags já explodiram, os bombeiros ainda não chegaram. As pessoas estão a rua a tirar fotos e a filmar. E é isto.

Força, Diogo!

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