Então como correu o dia? - Bem. - Tiveste o quê? - Aulas. -Sim, mas aulas de quê? - Disciplinas. (Quer-me parecer que a mais nova não quer conversa comigo. Ou isso ou tenho que rever as estratégias de diálogo)
Mensagens
- Obter link
- X
- Outras aplicações
Quando a Beatriz nasceu dei comigo a ouvir médicos, enfermeiros, pediatras a chamarem-me mãe. Mais tarde, no infantário lá vinha educadoras e auxiliares com o mesmo tratamento: mãe. E eu lá me fui habituando. Hoje dei comigo a chamar mãe a uma encarregada de educação. Ora toma. É o Karma. Ou água mole em pedra dura...
- Obter link
- X
- Outras aplicações
Não foi fácil lá chegar, mas houve um tempo em que pensei que Deus não existe para nos tirar as dificuldades do caminho mas para nos dar força e fé para aceitar e seguir em frente. Lembro-me de uma ocasião o meu pai (cristão praticante) me dizer: "saí do hospital tão zangado que me virei lá para cima e perguntei: Olha lá, Andas distraído?"(a causa era uma neta, em relação a si próprio nunca ouvi q ue discutisse com Deus). Nessa altura eu continuei a acreditar em Deus, a rezar a Deus, porque quando temos quem amamos doente sentimos que isto da cura tem uma percentagem de ciência, outra de sorte e alguma de fé. E não dá para prescindir da única coisa que podemos fazer naqueles momentos em que se toma conta do soro que pinga, os filhos dormem e os pais descansam, que é rezar. Ao longo de pouco mais de um ano, de perto e nas redes sociais acompanhei vários casos de cancros - em crianças, jovens e adultos. Há casos de remissão, de sucesso e esses casos são realme...
- Obter link
- X
- Outras aplicações
Os infanticídios não são um fenómeno do séc. XXI. Bem vistas as coisas, temos até ao séc. XVIII (em alguns casos até mais tarde) uma mortalidade infantil elevadíssima, a que não é alheia a morte provocada voluntariamente ou por negligência, potenciada pelos parcos cuidados de higiene e de saúde. Bebés enfaixados, bebés entregues a amas e criados longe das mães ou deixados na roda. A passagem de be bé a criança era um instante e o trabalho infantil era comummente aceite. A criança era um adulto em ponto pequeno. Em época de casamentos combinados por interesses, o amor conjugal era uma sorte mas o amor materno/ paterno também o era. Quase um descomprometimento afetivo para com os filhos que a qualquer momento morriam. Esta situação foi mudando com o tempo. Vivemos em tempo de direitos. E contudo, pais matam filhos, filhos matam pais, abandonos generalizados, como se à inexistência dos afetos sentidos corresponda uma incapacidade mental de agir como é suposto. Como se expl...
Do ensino
- Obter link
- X
- Outras aplicações
O primeiro ano em que dei aulas foi o ano em que os alunos deixaram de reprovar por faltas. Por outras palavras, deixou de haver aquela questão das faltas disciplinares servirem para reprovar. O que contribuiu para aumentar a indisciplina e as faltas de respeito para com professores, no dizer de alguns colegas. Aquilo era tudo novo para mim, não tinha ponto de comparação. Estivera fora de uma secundária por quatro anos mas a realidade mudara muito, até porque os meus olhos não eram já só os de aluna mas também de professora. As pessoas já se queixavam, mas de facto ainda havia as reduções por idade/ tempo de serviço, horário letivo (só), com menos horas, redução para quem só lecionasse secundário, etc. Naturalmente que estas coisas se destinavam aos colegas com mais tempo de serviço. Podia dizer que para os miniconcursos ficavam as turmas que sobravam, que quem era da casa não queria, mas estaria a ser injusta. Adorei os meus meninos do Pires de Lima, do Rodrigues, do C...
A propósito da Páscoa
- Obter link
- X
- Outras aplicações
Gosto do Natal, mas para mim a Páscoa é a essência do cristão. Mais do que o seu nascimento, Jesus destacou-se pela mensagem que transmitiu e que o levou à morte mas também à ressurreição. E aqui começam as contradições: amanhã ouviremos sinos e a mensagem "ressuscitou, aleluia!", ao mesmo tempo que nos dão a beijar uma cruz com Jesus na sua versão humana de mortal. Se calhar é para pensarmos naqueles de quem nos despedimos assim mas relativamente aos quais esperamos a vida eterna. Seja. Preferia uma cruz simples. Adiante. Por cá ainda há a tradição do compasso. Por causa disso a Páscoa há-de cheirar-me sempre à baunilha das amêndoas (que dantes o chocolate era só nos ovos), ao papel tostado do pão de ló e ao feno que à porta dava sinal de querer receber o compasso. No final do dia era esse o cheiro das ruas. Agora, em vez de feno há umas pétalas de rosa, quando as há. E os aromas são outros. Que fique sobretudo aquilo que a Páscoa deve ser: uma hipótese de renascer, de reno...
@Trás-os-Montes
- Obter link
- X
- Outras aplicações
Ontem, depois das obrigações aquisitivas dos apêndices oculares filiais foi dia de mais uma incursão gastronómico-afetiva ao interior. Começamos por Vila Real, para as miúdas verem os locais onde o pai cresceu e brincou até aos sete anos. D a casa resta o sítio pois houve um incêndio que comeu as paredes da dita. O jardim onde brincava é agora um parque infantil e um campo de jogos. A escola tornou-se num colégio. Mas a vista da Meia Laranja ainda é a mesma, se ignorarmos os prédios... E que vista! Depois fomos para a Quinta da Petisqueira. Espaço acolhedor, equilibrado, cheio de relíquias, e naturalmente a boa mesa típica dos transmontanos. Mais um golpe na dieta... Mas daqueles que valem a pena. Não ficamos aqui, havia que fazer uma surpresa à avó. Estavam 27 graus em Água Revés. Encontramo-la sentada no pelourinho, a fazer o seu "tratamento de beleza", ou seja a apanhar um solzinho. A aldeia estava calma, devia andar tudo por casa...