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Contava o meu avô Domingos, nascido em 1914 e frequentador da escola ainda durante a primeira república que a sua professora, quando um aluno não sabia responder e outro sabia, punha este último a dar reguadas ao primeiro. Se desse devagar, para poupar o amigo, levava a seguir. Contava a minha sogra que a sua professora uma ocasião lhe bateu por causa de uns erros num ditado. Como não era seu cos tume dar erros, a professora estava mesmo furiosa e foi tão eficaz que durante uns dias a minha sogra nem sequer se conseguia pentear, tais eram os papos na cabeça. Isto numa manhã, da parte da tarde a professora descobriu que afinal o ditado não era de minha sogra, mas de um primo cuja caligrafia era semelhante (e o apelido igual). Remate da senhora: da próxima vez que a minha sogra errasse, quem levava era o primo. De facto eram outros tempos e outra escola onde a afirmação do poder e a violência andavam de mãos dadas.
Banco da varanda, sol, calções (que apesar do meu estado inflacionado ainda servem!!!!), pernas a ganhar cor (potenciada por restos de autobronzeador do ano passado), cerejas muito razoáveis... Para ser perfeito tinha que eliminar os livros de fichas e de preparação de exames que me fazem companhia mas há que procurar inspiração para os últimos testes do período. Falta o mar, mas não se pode querer tudo, não é?
Semana negra para a adolescência nacional. Um miúdo agredido, outro assassinado. Ao longo de 20 anos, assisti a tantas mudanças no ensino quantos os ministros que passaram pela pasta da educação. Mais horas, menos horas, mais disciplinas ou ACND, menos disciplinas, novos programas, novas metas, taxas de sucesso a todo o custo para ficar bem nas estatísticas. A par disso, a total descredibilização dos docentes, o crescendo de uma indisciplina que já não é do recreio nem da sala de aula... Lembro-me de dizer a pais dos meus meninos "a indisciplina é muitas vezes um medir forças e o questionar da autoridade. Cuidado, hoje desrespeitam professores, um dia mais tarde farão o mesmo aos pais". E farão o mesmo na sociedade. É a factura, estamos a começar a pagá-la. Não falta o que mudar, se perdermos o medo das estatísticas talvez ganhemos o futuro. Haja vontade e bom senso.
Estávamos a falar do período da Convenção Francesa. De como o povo foi mobilizado no primeiro momento da revolução, como foi marcante a tomada da Bastilha, e depois, com o voto censitário, como a burguesia subtilmente afasta o povo da revolução. E sai um desabafo em alta voz lá do fundo "Estas coisas deixam-me irritada, stora!" Curioso como nas revoluções o povo dá jeito para fazer número. E como depois surge o medo que o "poder caia na rua". Seja na França de 1791, seja no Portugal de 1974. Seja agora. Sim, E., estas coisas também me deixam irritada.
O que falta aos jovens? Parar. Desligar. Terra, semear, ver nascer, cuidar, esperar. Falta-lhes o silêncio. Os olhares. Falta-lhe a companhia de pessoas. Faltam-lhes pais - porque estes estão cansados do trabalho, ou porque não têm trabalho, porque andam na sua vida, porque não conseguem comunicar, mesmo que para muitos os filhos sejam troféus que ostentam como prova de qualidade da sua maternidad e/paternidade. Mas falta-lhes também a atenção dos avós, companheiros de férias ou daquelas horas sem escola mas ainda de trabalho para os pais. Aqueles avós que param o que estão a fazer e se sentam e ouvem e contam com a sabedoria da idade para conseguir ver a longo prazo e desdramatizar e aceitar com naturalidade o que alguns mais novos condenam . Também faltam aos jovens desafios, para se testarem a si próprios. Falta-lhes a capacidade de acreditar, falta-lhes um país com alma onde os descobrimentos sejam a menor das conquistas porque só o futuro pode realmente ser conquis...
Coisas boas da aldeia: lavar roupa no tanque. E bolinhos económicos.
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E foi nesta casica no meio de montes que o bisavô Avelino (avô da avó Sofia) se refugiou durante uns tempos, quando era procurado pelo corregedor por causa de um crime que ainda não sei qual foi mas tenciono averiguar. Depois, conseguiu escapar e embarcar vestido de padre rumo ao Brasil. Quando se apanhou seguro, tirou o disfarce e acenou para o cais. Estava safo. Voltou anos depois, está aqui no cemitério de Água Revés e a sua foto bem demonstra o tempo que passou em terras de Vera Cruz.