Não
sabia o nome dele. Sabia que era muito educado, simpático, com duas
filhas ainda pequenas. Falamos algumas vezes. Da última disse-me com
entusiasmo que sentia uma força vinda não sabia de onde. E todo ele
brilhava, apesar dos gestos acusarem as tremuras de um tumor que lhe
crescia no cérebro. Falava sem rodeios do cancro. Dizer o nome do
inimigo é mostrar-lhe que não temos medo dele, parece-me.
Idas e vindas do hospital. Ontem faleceu. E eu saí de casa a pensar que
nem sequer sei o nome dele, que foi meu vizinho durante onze anos. Se
fosse meu amigo do facebook sabia, lembrava-me a consciência irónica que
volta e meia me atazana. Ao regressar a casa vi no vidro de entrada do
prédio a comunicação do falecimento, e respetivas exéquias. Agora já sei
o seu nome. Que descanse em paz.
As Escolas do Meu Coração- O Cerco do Porto
Depois de, com o meu último post, receber já tantas e tão carinhosas mensagens daqueles que fizeram caminho comigo naquela que também é escola do meu coração, o Cerco, dei comigo a somar recordações em catadupa. Começando pelo início, mentiria se dissesse que não tive receio. Ou que foi muito fácil e tranquilo. Estava num TEIP que por algum motivo o era. Entrar com 11 turmas foi logo um desafio. Só não tinha duas turmas de 9º, todo o 3º ciclo estava comigo. Vantagens: adquiri um vasto conhecimento dos alunos, e pude conhecer a escola antes do choque com os Cursos de Educação e Formação- que não eram desafio menor. Isso e começar a desejar um bom fim-de-semana às 10 horas de segunda-feira (ter as turmas uma vez por semana tem destas coisas). No ano seguinte, quando comecei a trabalhar também com CEFs, parte dos alunos já me conheciam de outro contexto, o que facilitou bastante. Houve turmas muito complicadas, houve momentos em que me pareceu viver numa realidade paralela. Mas apren...
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