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Difícil medir o grau de coragem, sim. Mas na essência, a coragem é do tamanho do medo. E cresce com ele, para o vencer (ou ao que o provocou).
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Da felicidade

A primeira veio num ramo lindo oferecido por um grupo de três alunos, no primeiro ano em que trabalhei na Escola (já lá vai mais de uma década) . Ao perceber que se dava bem cá por casa, ganhou companhia. O tempo foi passando, e as canas da felicidade (que pelos vistos afinal são bambus da sorte, diz o Google) lá se aguentaram. Há dois anos começaram aos poucos a secar. Uma após a outra. Até sobrar uma, a última, que, embora tremida, se aguentou. Resolvi então arranjar-lhe companhia. Trouxe 4, para que na jarra estejam em número ímpar. Foi o que me recomendaram. Pelos vistos há uma simbologia relativamente ao número de bambus, mas eu desconheço-a. "E não mude a água, só acrescente. Ponha numa jarra opaca, para não se ver a água"- disseram.  Vim a pensar que isto da felicidade não é nada fácil de conseguir. Há que saber acrescentar. E, se calhar, perceber quando isso basta, e quando não há outro remédio senão mudar a água. E, em última instância, as canas...

Diz-me o que comes...

E dizia um senhor doutor (dos que tratam doenças), no primeiro canal (à moda antiga), hoje: a nossa alimentação tradicional era muito saudável, baseada mais em proteínas, com poucos hidratos de carbono, e muita fruta e legumes. Na década de oitenta aumentou o consumo de hidratos e a obesidade disparou. E vai de mostrar uns riscos disfarçados de gráfico para dar rigor científico à afirmação. Ora eu sempre ouvi falar das refeições tradicionais como ricas em pão (que ao pequeno almoço se enfiava na malga da cevada- quando esta refeição não era sopa, ao almoço e ao jantar empurrava o arroz, ou engrossava a sopa, e se servia ao lanche, com rodelas de chouriça, ou com banana) arroz, feijão, batatas... Carne era sobretudo ao domingo, à semana havia mais peixe, destacando-se aqui o fiel amigo bacalhau. Não percebo onde está o predomínio da proteína. Percebem-se as mudanças (felizes) ocorridas nas décadas de 70 e 80: melhores condições de vida levaram a uma mesa mais farta, a abertura à Europa …
Ela queixava-se. Ele chegava ao fim do dia, carregado de bichos que ela tinha que preparar. Bichos cheios de chumbos. Havia que depenar o que tinha penas, tirar a pele aos outros, dar a vizinhas ou encher a arca, porque ele levaria a mal que deitasse fora. Ela odiava. Ele adorava. Sentia-se o verdadeiro Homem, espingarda certeira, trazendo os troféus para casa. Já lá vão uns anos. Mas lembro-me do ar dela, a suspirar, à segunda, depois de uma jornada de domingo à noite, dia de chacina. Lembro-me sempre que falam da época de caça. Sim, eu já disparei uns tiros com uma espingarda de pressão de ar. Ficou-me a doer o ombro, mas até acertava nas latas. Latas. Porque carga de água há homens que se vestem como se fossem para a guerra, agarram na espingarda, põem os cães a dieta rigorosa, e vão dar tiros para o ar? Expliquem-me lá o fascínio pela caça. É que em vez de pombos e lebres, podiam fazer tiro aos pratos, sempre era mais ecológico...

De pequenino...

São dois irmãos, com pouca diferença de idade. Pequeninos, terão entre os 3 e os 5 anitos. A regra: na piscina não podem molhar as orelhas. O chapéu não sai da cabeça dos dois. Ela atira água ao irmão. Ele retalia. Ela alerta: "mãããeeee! O mano molhou-me as orelhas!". A mãe ralha com ele. A coisa acalma. Passado um bocado ela vai e enfia o chapéu do irmão na água. Ele agarra o chapéu, enfia-o na cabeça e prega-lhe um estalo. Ela retribui o mimo, que foi visto também pelos progenitores. Filho fora da água, a esbracejar de contrariado, e acaba por ir para casa ao colo do pai. Filha continua na água, impávida e serena, e passado uns bons 10 minutos pergunta à mãe "onde está o pai?". Educar é difícil e ver tudo também, mas ralhar sempre ao mesmo devia levantar suspeitas em quem ralha. Quanto à pequenita, tem talento! Parece alguns adultos que todos conhecemos...
No bar passam músicas dos anos 70 e 80 (neste momento temos os Village People que rapidamente deram lugar ao tema de abertura de Fame). O escaldão das minhas costas lembra que o protetor solar é para usar todos os dias. As miúdas já estão enfiadas na piscina, a atirarem água uma à outra. O Dizzy dorme a sesta. E eu aproveito a sombra deste pinheiro simpático. Pela primeira vez nem trouxe livros nem comprei revistas cor de rosa. A ver se o cérebro consegue desligar um bocadinho. 

A flexicoisa no ensino

Não é o como se quer ensinar que está em causa, mas o que se quer ensinar  e para que serve o que se ensina (o argumento "estudem isto porque sai no exame" prova a utilidade- ou falta dela- de muitas das aprendizagens exigidas) Como é que se faz flexibilização de currículo quando o currículo, extenso, se mantém, e o número de tempos semanais de uma disciplina como História, por exemplo, se resume a 45 minutos duas vezes por semana? Como é possível imaginar que um dia se faz trabalho de projeto e outro dia se interrompe o mesmo para se ensinar de outra maneira? Como é que se espera motivar turmas que não querem saber da escola para nada porque não reconhecem utilidade no que os obrigam a aprender, sem lhes dar um sentido novo às aprendizagens? Como se quer fazer aprender de forma diferente e avaliar do modo mais convencional possível, com aferições e exames? O ensino precisa de uma revolução, mas uma coisa a sério, pensada,estruturada, não de mudanças desgarradas, com montes d…