domingo, 9 de abril de 2017

Na escola havia muitos grupos. Destacavam-se os fixes, que criavam modas, lançavam tendências, criticavam os outros e faziam bullying a quem viam como inferior ou como uma ameaça... Ter boas notas, por exemplo, era um convite a ser gozado, e os métodos podiam ser bem cruéis. Sim, porque os fixes não eram os que tiravam boas notas (que isso era arrasar com a reputação da espécie). Eram os que vestiam melhor, tinham lambretas, fumavam, saiam à noite, passavam férias em locais extraordinários  e arrasavam só com um olhar reprovador. Geralmente sentavam-se ao fundo da sala, onde era mais fácil trocarem mensagens (nesse tempo eram papelinhos, que o tempo dos telemóveis vinha longe) e risinhos. Se cá fora os professores eram brindados com comentários mordazes, dentro da sala recebiam doses reforçadas de simpatia para compensar a falta de outros atributos (cognitivos, vá). E estranhamente resultava, como se os profes não percebessem a realidade, ou simplesmente não a quisessem ver. Alguns dos fixes crescem, mas outros ganham só uma capa de adulto. Lá por dentro continuam os mesmos. A fazerem metáforas de gosto duvidoso, ou melhor, de refinada ironia, a desculparem as crias porque são fixes e fazem coisas de crianças, mesmo com a maioridade à porta e a provarem que isso não tem mal nenhum, pois os fixes também constroem carreiras de grande sucesso.

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